Frankelim Amaral

   

 

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    Tempo de viver

 

    Num dia destes estava conversando com uma senhoraamiga e, ela disse-me que tinha a mãe muito doente, com umcancro nos pulmões e, que não ia ter muitos anos de vida e que a partir de agora ia dedicar mais tempo à mãe para poder cuidardela A mãe, com os seus 71 anos, viúva e com a sua doença jánão se pode cuidar sozinha.

    No final da nossa conversa fiquei a pensar nas palavras que ela me tinha dito: Numa tarde, estava deitada na cama com a minha mãe ao meu lado, no silêncio podia ouvir a sua respiração, nesse silêncio podia também ouvir o som do relógio da mesa de cabeceira.

    De repente o relógio parou e deixou de fazer .tic-tac tic-tac.acabou-se a corda, parou. Então percebi que na vida o tempo, um dia, irá acabar por parar para todos nós.

    Resolvi estar com a minha mãe o mais tempo possível. Quero estar perto dela para ouvir a sua voz, o seu sorriso tão bonito, mesmo cheio de rugas, os seus olhos castanhos, ouvir suas histórias de antigamente, e ver nela as marcas que o tempo lhe fez.

    Mas, conseguir tempo para estar com ela vai-me ser muito difícil.

    Estas foram as palavras que resumiram um pouco a nossa conversa.

Para muitos de nós, é a doença ou a perda de um familiar que nos faz encarar pela primeira vez a morte, o acabar do tempo.

    Penso que criamos obstáculos e barreiras com os nossos próprios objectivos, lutamos para conseguir ultrapassá-los, criando horários tão carregados em que andamos num constante estado de ansiedade, falta-me isto, falta-me aquilo, já não chego lá a horas… Andamos todos numa pressa louca.

    O trabalho tornou-se uma nova religião, uma forma de satisfazer a ansiedade de encontrar um significado para a vida, de mostrarmos ao mundo o nosso valor, a nossa identidade, perdemos o tempo para amar, e muitas das vezes até pensamos que com isto tudo ganhamos respeito dos outros.

    Trabalhamos para obter uma identidade, é um meio para assegurarmos o nosso futuro, isto é verdade, mas muitos de nós passa os limites, misturam a ganância, o poder, o dinheiro que tudo pode comprar (quase tudo), porque a saúde não se vende e o tempo não se compra.

    Investimos tanto tempo no nosso trabalho, gostamos de nos recompensarmos com coisas materiais, carros, casas, roupas, toma-se o gosto do dinheiro e isto é uma doença.

    Muitas vezes, gastamos o dinheiro antes de o termos ganho.

    A dívida é uma preocupação constante na nossa mente, mantendo-nos acorrentados a um trabalho monótono e constante, mesmo quando chega o fim-de-semana para descansar, há sempre algo para fazer.

    A vontade de querer sempre fazer mais do que o outro, é a causadora de uma grande ansiedade que nos leva a um constante stress, porque já estamos atrasados, porque o outro já chegou, etc..

    Quantos de vocês é que tem, também, um relógio na mesa de cabeceira, como a minha amiga que realcei no princípio da crónica, e não é por acaso que ele está adiantado 5 minutos?

    Porque também quer ser mais rápido do que o tempo, mas isso não nos é possível.

    Há coisas simples que podemos fazer para enriquecer as nossas vidas, tirar pelo menos 5 minutos por dia para viver o momento, sem pensar no que temos para fazer.

    O perigo maior reside na nossa pressa, em querermos chegar depressa, mas como diz o ditado: .devagar se vai longe..

    Viva a sua vida sem ansiedade, não deixe que o tempo lhe roube a oportunidade de viver a sua vida feliz.

 

                                                                                                                                                          Frankelim Amaral

 

 

 

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    Um Pai...

 

    Hoje quando olhava minha filha a brincar, reparei nos seus gestos de inocência sem ter consequência do perigo, sem perceber a maldade do homem e ali em minha frente esta a pura inocência, a maior riqueza que uns pais podem ter, perguntei-me como será quando for mais grande? Como será sua infância, juventude, e depois mulher adulta?

    Pensei um pouco no passado, tentei lembrar-me quando era pequeno muitas imagens desfilaram como flashes em minha cabeça, imagens, momentos, todos eles a partir de oito ou nove anos, momentos bonitos outros tristes, mentiras, sorrisos, lágrimas, carrinhos, tareias, saudades, lembranças, muitas que hei-de carregar até a morte, lembro-me já quando jovem, os meus sonhos, os meus projectos, lembranças, muitas vezes aparecem os meus pais, que fizeram por mim o que quaisquer outros pais fazem pelos filhos que amam, dão o melhor de si mesmos, educação, alimento, conselhos, vestir, repreensões, tentam fazer de nos à sua imagem, e o resultado ? Um homem que a vida fez de mim, sim que a vida fez de mim, porque é esta vida, é ela que nos forma, que nos molda, que nos faz a sua maneira, com as surpresas, os imprevistos, as despedidas, os amores, as desilusões, e com o matar de muitos sonhos, que tanto gostaríamos que se realizassem e foi assim, a vida fez de mim o que os meus pais tentaram fazer.

    Isto tudo pensei enquanto olhava minha filha a brincar e não sei porque veio-me a preocupação, como um peso de ter a responsabilidade de assumir o que a vida ira fazer da minha filha, será que o que eu vou fazer o que os meus pais fizeram por mim? Será que a vida também lhe era matar muitos sonhos? Será que irei dar o meu melhor? Será que ela saberá curar as feridas que a vida lhe vai fazer? Será que ira gostar do sabor das lágrimas?

    Não vai ser fácil, mas todos os homens, mulheres tem de passar por lá, uns com mais facilidades, outros com mais tormentos, mas nem todos nascemos no mesmo berço e nesta vida por vezes não são as palavras que nos ofendem, mas sim o silêncio de certas perguntas.

   Neste momento a noite já caio, lembrei-me do sabor das minhas lágrimas, que a vida me fez chorar, lembrei-me dos momentos em que a vontade queria desistir, em que o desespero bateu-me a porta, em que fé se perdeu entre os meus dedos, em que a tentação abriu-me os braços, e eu por já estar farto do sabor das minhas lágrimas, porque um homem não chora "ou não deveria chorar", soube resistir, porque olhei para frente, mas também olhei muitas vezes para traz, porque olhar para traz é lembrar-nos de onde viemos, quem éramos, olhar para traz e ver os nossos passos e tentar corrigir o nosso andar, olhar o caminho que percorremos é perceber que avançámos.

    Pensei nas despedidas, nas chegadas, nas horas de ilusão e tudo o que fiz foi por mim, para mim, para a minha imagem, para o meu nome, mas hoje quando olho a minha filha penso no que faço, no que quero ter, onde quero ir e pouco já faço a pensar em mim, agora que já a vida fez de mim o que tinha a fazer, o pensamento já não era como quando tinha vinte anos, solteiro, com poucos compromissos, agora o fruto do meu ser esta presente a minha fortuna "filha" que já me sorri, os seus olhos já me vêem e eu vejo a vida com outros olhos.

    As lembranças nunca desaparecem, muitas das vezes não queremos pensar nelas, fizemo-nos esquecidos, e hoje quando olho os meus pais orgulho-me duque eles fizeram por mim, o que a vida me obrigou a ser, minha filha será mãe dos meus netos e meus netos se tornarão em pais, e muitas histórias serão contadas, muitas vidas passadas, muitas feridas curadas e outras mal cicatrizadas.

    A vida ? A vida esta sempre aqui para nos ensinar muitas coisa que só ela sabe. E eu em cada instante em cada respirar, em cada gota de sangue, em cada olhar, em cada gesto meu, vou pensar sempre em ti meu anjo.

 

    "Dedico esta crónica a todo o sofrimento de certos pais, para a felicidade dos filhos."

 

                                                                                                                                                           Frankelim Amaral

                                   

 

 

 

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    O amor o que é ?

 

   O amor nunca se completa , é preciso continuar a procurar e a desejar o amor que esta em cada olhar em cada sorriso em cada passo que damos só assim podemos acreditar que o amor é infinito.

    Diz-se que depois de um amor perdido vem o luto fica a solidão e só mais tarde se ganha novamente a confiança.

    Mas o que realmente o amor ? Não sei , mas penso que há varias maneiras de amar , como o amor do poeta , um amor romântico que diz sempre que sofre e transforma o batimento do coração no ritmo dos seus versos.

    O amor do guerreiro que luta até a própria morte transportando o amor no sangue de sua espada.

    Qualquer um de nos pode amar o amor é gratuito , amar tudo e nada até mesmo uma pedra da calçada , o amor não se justifica com decisões e muito menos com virtudes ou justiças ,o mundo para quem ama fica mais belo , o ser humano pode ter uma carrada de defeitos e pode amar , mas a maior parte das pessoas quando amam querem ser amadas , mas então de onde vem o amor ?

    Talvez das nascentes mais profundas e incompreensíveis que até mesmo os mais sábios desconhecem.

   Cada um de nos tem uma razão para amar , mesmo que lhe seja desconhecida , a o amo pertence a religião dos pensamentos diferentes , pois só assim se justifica o sentimento.

    Ao contrario de que se diz o amor não é cego , a amante tem consciência dos defeitos do amado , não há amante que não se de conta disso , com maior o menor claridade , mas tudo passa por um estimulo para que o amor se mantenha vivo (o amor nunca morre).

    Para o amor basta o amor , por isso quando o amor vos fazer um sinal , segui-o , mesmo que os seus caminhos sejam duros e longos , quando as suas assas vos envolverem , entrigaivos.

    Quando o amor vos falar , acreditai nele , mesmo que a sua voz seja fraca e rouca.

    Não tenhais medo do amor , do seu sofrimento , porque que semeia o pinheiro e cuida do seu crescimento , também o ira cortar para dar lenha.

    O amor só da de si mesmo e só recebe de si mesmo.

    Porque o amor basta ao amor.

 

                                                                                                                                Frankelim Amaral

 

 

 

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